segunda-feira, 15 de março de 2010

Anabela




Ela sempre tinha dois cigarros na carteira; carregava uma bolsa pequena e no currículo amoroso, 32 desilusões - Isso mesmo, 32 desilusões.
De segunda á sexta, mal dormia e já cedo levantava, se engomava e vestia um sorriso falso pra dar bom dia ao chefe. Trabalhava feito um camelo no deserto.
Fim de semana levantava lá pelas quinze horas e no desjejum, uma dose de conhaque com mel.
De noite se pintava, perfumava, produzia... Jogava-se na pista, arrasava!
Depois de várias doses de álcool barato, não escolhia com prudência seus parceiros; bastava ter pinto grande, que já estava no meio - Só fazia sexo por sexo totalmente fora de si –
A noite caía cada vez mais, até chegar o dia e os efeitos alucinógenos no sangue de Anabela esvaíam-se nas lágrimas que chorava.
Pensava então, nos amores perdidos e em seu vício de sábado e domingo. Respirava fundo e mandava tudo à merda, como se tivesse que provar a si mesma que era auto-suficiente.

-Era porra nenhuma!

Anabela pouco a pouco, morria de agonia.

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